quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pescador baiano defende combate aos arrastões na costa benguelense



Um pescador do município da Baía Farta, 25 quilómetros a Sudoeste da cidade de Benguela, alertou as autoridades locais sobre a importância do combate cerrado aos arrastões efectuados na localidade, por embarcações estrangeiras de grande porte, devido ao perigo que representam no enfraquecimento da actividade piscatória dos autóctones.

Trata-se de Tomás Abel, de 55 anos de idade, 40 dos quais dedicados à actividade piscatória, que se manifesta ao Ombaka das Letras extremamente preocupado, porque actualmente tem sido difícil se pescar grandes quantidades, por causa dos arrastões na fronteira marítima daquele importante centro piscatório perpetrado por cidadãos de diversas nacionalidades, o que tem prejudicado as previsões dos pescadores e a sua situação socioeconómica, de si já precária.

Para o interlocutor, na era colonial a zona marítima da Baía Farta era muito rica em peixe, pois proporcionava quantidades significativas de pescado a quem por ela diariamente navegava, mas, frisou, como resultado dos arrastões, os peixes, como o Liro, Camussile, a Corvina e a Bolota tornaram-se bastante raras.

“Temos estado, periodicamente, a ver um sem número de arrastões tanto de dia como de noite das mais diversas nacionalidades que até ás vezes arrastam as malhas dos pescadores da Baía Farta”, frisou, acrescentando que a situação deve ser combatida, para que a localidade possam ter uma actividade piscatória favorável para melhorar a qualidade de vida dos munícipes.

Disse que o mar está sendo cada vez mais pobre, dado o desaparecimento de algumas espécies marinhas, porque os arrastões tendem a aumentar cada vez mais, daí o facto de ter chamado a atenção das autoridades para que contivessem esses actos que os considerou ilícitos e prejudiciais à economia nacional.

Salientou que no tempo colonial,  um barco que pescasse quer no Lobito, quer na Baía Farta, podia alcançar até 40 ou 50 toneladas de pescado durante apenas uma empreitada.

Por outro lado, notou que as novas embarcações que o Governo tem estado a entregar às cooperativas, no âmbito do Programa de Modernização da Frota Pesqueira do País, tem sido uma mais valia social.

Nesta senda, o antigo marinho ressaltou que seria mais proveitoso se estes barcos viessem equipados com guinchos para que se adaptassem a realidade dos próprios para poderem efectivamente aumentarem as capturas.

Encoraja o Governo a investir mais e a desenvolver a indústria pesqueira da Baia Farta, por ser um grande centro pesqueiro do país que precisa de ser reerguido para dar um contributo que sirva para o crescimento da economia nacional em prol do desenvolvimento sustentável.

Actualmente, a pesca continua a ser a principal actividade económica da população da Baia Farta, quer na sede do município, quer ao longo da faixa marítima a sul. Todavia, o município, cujo nome se deve a abundância de peixe na sua costa, tem 37 unidades pesqueiras, muitas das quais estão já a investir na congelação.

Igualmente a região é referência a nível da indústria de sal, com cinco salineiras e uma unidade de refinação e iodizaçao. Baia Farta é o maior produtor de sal de qualidade a nível nacional, com uma produção anual que ronda as 20 mil toneladas.
Baía Farta, um dos nove municípios da província de Benguela, no litoral oeste de Angola, tem 6 744 km² e uma população estimada em 125 mil. Limita a Norte com o município de Benguela, a Este com os municípios de Caimbambo e Chongoroi, a Sul com os municípios de Camacuio e Namibe e a Oeste com o Oceano Atlântico.

Pescadores baianos consideram novas embarcações estratégicas para criação de emprego

 Os pescadores organizados em cooperativas de pesca artesanal no município da Baía Farta, 25 quilómetros a Sudoeste da cidade de Benguela, consideraram as novas embarcações, que o Governo os tem dado, no âmbito do Programa de Modernização da Frota Pesqueira do País, um factor decisivo na criação de mais empregos tendentes à erradicação da fome e da pobreza no seio da população.

Numa reportagem efectuada pelo Ombaka das Letras, à movimentada Praia das Dragas, no município da Baía Farta, onde a maioria dos pescadores artesanais trabalha sem parar dia-a-dia, o peixeiro José Fonseca, de 30 anos, disse que os novos barcos, além de estarem a apoiar a pesca artesanal, têm permitido que muitos jovens desempregados sejam inseridos no mercado de trabalho, por forma a lhes dar rendimentos que os sirva para sustentarem as famílias pelas quais são responsáveis.

O marinheiro, para quem há uma clara satisfação no seio dos pescadores pelos resultados do Programa de Modernização da Frota Pesqueira angolana, nos últimos tempos havia no município da Baía Farta um elevado número de jovens que carecia de postos de trabalhos, mas desde que começaram a ser alocadas as referidas embarcações à localidade já se está a minimizar pouco a pouco as taxas alarmantes de desemprego.

Na opinião do entrevistado, a Baía Farta é uma zona potencialmente piscatória a nível do país, pelo que, agora, deve e pode voltar aos tempos áureos em que registava altos índices de captura do pescado, bastando apenas que o Governo angolano continue a apetrechar as cooperativas e associações de pescadores artesanais com os novos equipamentos, que também dão um contributo indispensável na melhoria da qualidade de vida dos beneficiários.

Enquanto isto, Francisco Cachiquele, de 24 anos, 10 dos quais pescador, considera que a melhoria substancial da actividade piscatória está dependente da sequência da entrega de mais embarcações para facilitar a pesca artesanal, já que, agora, “o peixe tem sido mais apanhado numa distancia de 300 milhas da costa, onde as chatas não conseguem alcançar”, frisou.

“Mas, se tivéssemos uma maior quantidade de embarcações aqui no município da Baía Farta faríamos muito tudo em prol do aumento dos níveis de capturas, ou seja, numa semana poderíamos adquirir quatro toneladas de pescado, o que seria de extrema importância a fim de suprir as necessidades alimentares da população local e não só”, realçou.

Já Filipe Canjongo, 28 anos, reconheceu que a concessão de mais barcos modernos impõe-se como um dos pressupostos fundamentais para se aumentar a produtividade piscatória, porquanto os pescadores conseguiriam alcançar as zonas potenciais de pesca, com particular destaque para o Chingo, onde há mais peixe, ao invés do Sombreiro e Chamume.

Por sua vez, Eduardo Manuel, que trabalha nesta actividade de pesca desde 1974, e membro da associação de pescadores artesanais “Tutikovela”, em Umbundo, traduzindo em português, “Estamos a Espera”, disse que as embarcações estão a ajudar sobremaneira a vida dos associados, embora apresentem avarias constantes nas respectivas bombas, nos rádios e nas sondas, o que tem sido um calcanhar de Aquiles, pois leva aos menos uma semana para superá-la e é onerosa.

Assim, de acordo com o interlocutor, com estas avarias praticamente a actividade piscatória fica temporariamente paralisada, o que às vezes cria embaraços para a vida dos pescadores, pelo que, sugere a necessidade de as autoridades governamentais avaliarem técnica e profundamente os novos barcos para que tenham maior tempo de utilidade.

As embarcações já citadas estão equipadas com tecnologia avançada e completa de navegação marítima e de pesca, com destaque para o Sistema de Posicionamento Global (GPS-sigla em inglês), um porão para armazenar duas toneladas e meia de pescado. Nela podem trabalhar seis pescadores.

Na sequência da entrega das novas embarcações de apoio à pesca artesanal aos pescadores organizados em cooperativas e associações na província, o Instituto de Pesca Artesanal (IPA) prevê que 25 mil toneladas de pescado sejam capturadas anualmente, em Benguela, contras as actuais 17.

A província de Benguela controla actualmente um número estimado de cinco mil e 700 pescadores artesanais, na sua maioria do município do Lobito.

Exportação de pescado ganha alento com reabilitação de estradas



Alguns camionistas da província de Benguela, que exportam o pescado para as demais localidades do país, manifestaram-se  satisfeitos com a reabilitação das estradas nacionais pelo Governo Angolano, por estar a facilitar a sua actividade comercial indispensável ao combate da fome e da pobreza no seio das famílias.

Entrevistados pelo Ombaka das Letras, os camionistas reconheceram que a melhoria significativa do estado dos principais troços como Benguela/Luanda, Benguela/Huambo, Benguela/Bié, entre outros, tem dado outro alento à comercialização do peixe, sobretudo nas províncias de Luanda, Huambo, Bié, Malange e Uige.

O camionista Victor José, 37 anos, 15 dos quais dedicados à exportação de peixe de Benguela para outras regiões, disse que desde a paz em Angola, o seu trabalho tem decorrido bem, porque a via já está melhor que antes, proporcionado maior fluidez e segurança a quem por ela circula diariamente com o intuito de contribuir para o progresso não só familiar, como nacional.

“Agora, temos percorrido menos tempo para ir ao Bié, à Luanda (…)”, frisou, dizendo que o governo começou a distribuir embarcações as associações e cooperativas de pescadores artesanais da província de Benguela a quantidade de pescado aumentou, inclusive no mercado informal, o que propicia uma venda satisfatória.

O interlocutor, animado, adiantou que o peixe exportado de Benguela tem sido vendido com maior incidência nas províncias de Luanda, Bié, Huambo, onde a maioria dos maiores tem sido as senhoras dos paralelos ou até mesmo alguns hotéis, neste último se o peixe for grosso.

Antes do alcance da paz, segundo ele, os camionistas não conseguiam adquirir uma quantidade substancial de peixe pelo facto de que as antigas embarcações eram deficientes tecnicamente, mas hoje, já consegue levar-se em cada viagem nove toneladas de peixe para exportação, podendo facturar um montante financeiro de 10 mil dólares norte-americanos.

Acrescentou que durante o acto de carga e descarga da mercadoria a partir do camião, alguns jovens têm ganho o seu emprego indirecto.

No entanto, o empreendedor considera fundamental que o governo assista financeiramente os camionistas visando a compra de camiões com sistema de congelação para melhorar cada vez mais a actividade de exportação de pescado, sobretudo para aqueles mercados onde a população anseia consumir peixe fresco, como Malange e outros.

“Caso o governo ajude neste sentido, os camionistas poderão dispor-se de um camião de pelo menos sete toneladas equipadas com câmaras frigoríficas, o que tornará mais rentável a actividade”, frisou para quem devido à paz e à reabertura dos principais mercados do país, hoje o sustento da família está garantido.

Com a reabilitação das estradas, avançou, agora, já podem chegar aos lugares nunca dantes alcançados a nível do país


Por: Rei Mandongue I

terça-feira, 8 de junho de 2010

Na alvorada do Silêncio

    



                  Ao romper da alva na cidadezinha de O´mbaka, a chuva caia de forma morosa, adentro de um de seus lugarejos aformoseados de lindas flores de rosas escalarte, o sol reluzia até alegrar os viventes. Algures deste lugarzinho vivia um jovem, cuja visão era criadora e inteligível.
                                   Chamavam-no de Arquisocra Gusthonova, e estudava numa escola de estrutura caduca. Os sorrisos de seu rosto não deixaram de escapar grandes e lindas amizades, não obstante o seu nome era para muitos o emblema de sua capacidade e filosofia, e, por conseguinte do romantismo que lhe inundara os olhos avermelhados de ardor.
                         Certo dia de sol escaldante, que arrepiava o ambiente a que ele e, seus amigos estavam sujeitados. Sem hesitar Arquisocra pensou de imediato ir à praia que não distava muito da sua cidadezinha, algo que o caracterizava era de facto, dele não gostar de ir só a empreitada, então se resignou a pedir a companhia amena de seus ‘kambas’, mas estes, negaram-no com rigorosidade. Então ele sentiu-se jururu por não puder contar com eles naquela vagabundagem, todavia a sua antevisão ajudara-lhe a ir sozinho a praia.
                        Resoluto, como era seu costume, pôs-se no caminho, mas com um ar disfarçado, porém, o sorriso que jazia na sua boca ilustrava-se-lhe que quiçá nada o terá desanimado! Foi andando, andando, até quando num instante o sol doirado da paradisíaca praia morena já brilhava no seu rosto, e refletia-no no mar reluzente, desdém, apressou-se para trilhar nas areias!...
                                     Quando contente viu o fulgor da praia, incitou-se-lhe tirar a camisa de cor enojada por forma a mergulhar, no entanto, no momento o seu coração entusiasma-se e bum, bum, batia fortemente. Sentiu-se volvido por uma imagem que este não via nem percebia. Não obstante, virou-se e viu uma esbelta rapariga de cor morena, olhos acastanhados, tez imaculado, era mesmo uma mulher admirável...
                                   Irresistivelmente! Ele sentiu-se umedecido de sentimentos!... Tão repentino que perdera-se-lhe a fala! Ambos fitavam-se, mas a garota fingia àquela realidade. Enervada replicou-lhe! Ó seu ousado p’ra onde estás tu a olhar?— ele, assustado não conseguiu reportar as palavras daquela mulher endeusada. Contudo esta insistentemente tagarelou-no. Aguerrido ele quis falar e, assim ponderou enfrentá-la: ah, ó desculpa-me, é que... Nunca vi em toda minha vida uma mulher alindada como você!-Dizia Arquisocra.
                                  Por sua vez, ela sentira-se ébria pelas versáteis palavras do jovem, todavia, como estava a fingir não pôde corresponder ao almejo deste, não obstante ele se sentiu entre conflitos naquele mesmo instante que com arrojo abeirava seu olhar ao corpo sagrado da rapariga.
                                    Por outro lado, a rapariga sentindo-se de igual modo apaixonada por àquele coração espezinhado nas galáxias românticas, como mesmo o jeito dele mostrava isso, --ela então disse:- - ó jovem não ouse a abeirar-se a mim, porque te atirarei à área molhada!---àquela advertência constitui-lhe em frases significantes e, humildemente ele obedecera, e, ela agora o tratara gentilmente. Arquisocra indagado disse:- Almejo saber de si!...Ó garota? Sem outra forma de esquivar-se daquele pensamento inocente, ela, porém, concedeu, dizendo-o; também anseio que nos conheçamos!
                                      Eu chamo-me Esmeralda Ariethe António, tenho 17 anos de idade, vivo no bairro do Quioxe, meu pai é o senhor Kalupeteka António e mamãe é Rachel Gandesa, sou a filha mais velha dentre os meus irmãos, estudo na escola do ciclo velho algures na praia morena.  Já apresentei-me agora é a sua vez... apesar disso, Arquisocra estava mais atento ao labiar da garota enquanto esta falava e aproveitava perpetrar àquele corpo místico.
                                Titubeado, ele gaguejava, mas forte no seu âmago retomou a palavra, e disse:-Meu nome é Arquisocra Valentim Jolente tenho 18 anos de idade, sou bairrista da Massangarala e... Adorei imenso de conhecer-te ó Esmeralda, e esta, ludibriando as suas segundas intenções despediu-se e lá ia ela perdendo-se no horizonte daquele paraíso.
                                 Arquisocra esperançoso, acreditava que algum dia viria a encontrar a sua  linda princesa que vincara seu coração de galinha, mas disfarçadamente ele tomou o caminho para casa sem que precisasse mais de mergulhar. Alem disso, no seu interior um temporal de amor inebriava-o indefesamente.

                                            
     II CAPITULO
                           Ao chegar a casa, Arquisocra  apresenta-se diferente em comparação de outras vezes que chegasse. No seu rosto lia-se um ar venturoso, e ora estranho. Sua irmã Honora apercebeu-se de que algo obcessor e extravagante havia tomado conta do seu mano.
                               Razão pela qual, ela frisou: meu irmão que viste na praia? Mas ele irônico respondeu; Achei um coração adequado a mim, ora alguém que aquele pélago me ofertou. Honora ajuizava de si para si, que porventura seu irmão estivesse a engendrar a sua peta como habitualmente tem sido, mas ela, o ignorou. Ele, porém sentia-se mais disposto, tendo em conta que nas suas veias corriam ainda o ímpeto de uma paixão.
As horas iam passando, não obstante ele jazia estupefato. Seu pai Jolente apercebeu-se da ausência de seu filho à mesa, e, enfurecido chamou-lhe: Arquisocra anda cá para almoçar. Mas a advertência de seu progenitor era inaudível para si, repentinamente a voz atormentadora de seu pai, perpetrara seu quarto e ele medonho seguiu o itinerário daquele brado.
                                        Resignado, entrou à sala onde se reuniam os seus familiares visando partilhar a refeição que sua mãe cuidadosamente preparava. O rosto de seu pai estava tenso, e sem hesitar este se desculpou em virtude de ter atendido tardiamente o seu chamamento, então as suas mãos acariciavam uma das cadeiras de cor acastanhadas que sua família tivera adquirido algures em Cabinda.
                                      E...Assim, ele retirou-a e sentou-se suavemente, de modo que todos iam alimentando-se, mas os olhos de seu pai policiavam a mesa e então ai, que Arquisocra foi apanhado a ponderar com os cotovelos sobre o banquete, mas o senhor Jolente disse-lhe: meu querido filho, porque não comes, ola a sua mãe preparou-lhe um almoço especial!, resoluto ele o respondeu; ó pai saiba que quando me desloquei à praia, conheci uma linda e donairosa mulher, cuja simpatia entrou no meu âmago.
                                                                 O seu pai o aconselhou, para que ele não andasse a sonhar desveladamente, porém sua irmã Honora interditou o dialogo dizendo: Papai, desde manhãzinha que vejo Arquisocra a dizer coisas estranhas, será que está a enlouquecer? E para o sobressalto de todos,  ele retirou-se despercebidamente e seguiu ao seu cômodo para tranqüilizar-se porque naquele instante sua imaginação abrasava.
                                   A senhora Ariethe, sentindo o sucedido de seu filho, seguiu-lhe ,e, encontrou-lhe já a pestanejar, no entanto amorosamente referiu; Ó meu lírio lindo, dizia ela para seu filho, a mãe sabe bem como está sendo difícil pra você encarar este período que é tão especial à sua vida! mas crê que um dia vocês vão encontrar-se, fazendo-lhe cafuné fez-lhe cair ao sono.
                              Durante aquela noite, a mãe de Arquisocra questionava com seu cônjuge Jolente sobre a situação que estava vivendo seu filho. E, assim o disse: doravante nosso filhinho vai pensar mui precisamente nesta imagem que confundi-no, sendo assim devemos ajudá-lo. Ah, mas ó Ariethe de que maneiras? Replicou Jolente. Ola eu creio em você, mas não sei como podemos o ajudar, tendo em vista que se trata de uma questão intima que nesta idade é tida de quando em vez como um bicho de sete cabeças.
Se lembrares o tempo em que eu queria-te sem tormento, porém  era difícil para algumas pessoas compreenderem àquilo, acrescentou Jolente, dando-na um beijo, serenou a aflição de sua consorte e assim, à noite aluada resplendecia e espreitava os amores que desde ali sucediam.
                             Arquisocra despertara pouco antes das seis horas da tarde, e olhando a janela viu que o sol chamejante despedia-lhe do dia e ele arrumou a sua  cama, e em seguida dirigiu-se a casa-de-banho para efectuar a sua higiene pessoal, depois de aproximadamente uma hora ele estava então límpido e alindando, Ora quando voltou ao seu quarto deparou-se com seus pais que carinhosamente abraçaram-lhe à medida que o iam propusendo um passeio ao cine Monumental, algures naquela urbe, pois que neste dia passaria um filme aliciante. Ele sem hesitar aceitou rapidamente vestiu-se.
                                          Seu pai, ordenara-lhe, que tirasse o automóvel da garagem, enquanto que sua mãe e irmã se  preparavam já com algumas demoras, facto que veio a aumentar o almejo de Jolente e Arquisocra.
Honora lindamente irrompeu àquele ambiente, deixando-os estupefato e quase que sem fala, mas reanimado seu pai perguntou-na; Porque sua mãe demora tanto, vá chamá-la que o filme está prestes a começar.
                             Surpreendentemente a senhora Ariethe, saia dentro de casa lindamente esplendida tão igual como uma rainha real, tendo assim acalmado à inquietude deles, seu marido Jolente, estava atarantado e então poetizou-lha; Estou apaixonado como se fosse um rapaz ó Ariethe, e atrapalhadamente recepcionou-a danda-lha um beijo. Seus filhos riam-se porque seu pai parecia-se-lhes um louco extasiado, mas estes se apercebendo, mandaram-nos entrar ao carro, e assim a família ia  perdendo no horizonte daquela ruela.
                                                                                   
                                   
 III CAPÍTULO
No decurso da pequena viagem o jovem Arquisocra lembrava ardentemente os doces momentos vividos na manhã deste dia, mas por outro lado, os dizeres de sua família o ajudaram a entreter-se. E pontualmente, eles puderam chegar ao cinema para verem ao filme, intitulado ‘’ Romeu & Julieta’’.
Como se não fosse, o filme que estava a passar no écran do cinema, retratava as minúcias de um romantismo vivido com ardor pelas personagens (cineastas), motivo pelo qual, levara de lirismo Arquisocra, cujo aforismo indagava-se-lhe...
Entretanto, para a sua surpresa, dentre os risos da sala, estava Esmeralda, doravante tornava-se inaudível àquela voz sensual, e num gesto de disfarce ele começara a procurá-la pois já sentia a insondável presença dela, até quando dos cabelos lisos, lindos e reluzentes era reconhecível a sua estrela guia, porém excitado e apaixonado chegou-a aos ouvidos dizendo: Boa noite minha rosa suave... e ela num sinal de contentação levantou-se com  disposição e ambos retiraram-se.
Olá co... Como estás, entaramelado falava Arquisocra. Eu estou muito bem agora que te vejo! Respondeu ela olhando-o atentamente. No entanto ele ficara indagado. Enquanto lembravam, a linda manhã em que eles se conheceram, os seus desejos ardiam como brasas, e sem darem por conta, os dois já se encontravam abraçados! Apaixonadamente Esmeralda consentiu o beijo de Arquisocra, embora ele desacreditava pelo que aí acontecia.
                                                 O tempo queimava-se e seus ardores ferviam. Foi, então, que Esmeralda disse a Arquisocra - quero que daqui para frente me procures mais vezes, porque tu és o príncipe da minha vida, por isso amo-te e não posso viver mais sem você- Ouvindo tais declarações amorosas, que nunca as tivera escutado de outra pessoa, o jovem,  por um triz perdera a respiração, mas a ternura de sua garota  impediu que tal isso  sucedesse...
                                 Num gesto coeso eles deram-se as suas mãos, quando seus corações já batiam de tanta paixão e excitação. Em seguida, dirigiram-se à porta do cinema, a qual estava bem trancada, mas eles foram batendo, batendo, até que o "Matúvi", porteiro, os ouviu e, apressadamente, abriu-a. Quando viu Esmeralda ao lado de um adventício estranho, exclamou! Ó minha sobrinha onde te meteste! Teu pai e eu procuramos-te por todo o lado e ela disse-lhe: eu estava navegando nas galáxias mais suaves do universo, este, atônico, ficou caluda.
                   Um ar de saudade irrompeu a despedida de ambos, irresistivelmente, Esmeralda ludibriou o olhar atencioso de seus pais, e como que fingindo, voltou-se para dentro ao encontro de seu púbere amor, a sala era extraordinária para a sua contundente busca, mas ao ouvir o lacrimejar de alguém, algures na sala ela apercebeu-se que o desespero tomara conta dele, assim ela correu aos seus braços e os beijos falavam mais alto naquele principiar da névoa...
                                                               The End...

Guitarra ensolarada




Entusiasmo do sol furtava inspiração
Até ao arquipélago benguelense
Onde rudes lembranças iam à messe
E estrofes negras tocavam ao coração

Guitarra guardada no coração
Rugia como leão à sombra do mar
Tão distante agora de musicar
Tão seco como sonhos de verão

Onde está aquele sol vadio
De tristes cantos de cegonhas
Que dos mangais vinham sem penas
E aí chegadas eram depenadas com ódio

Assim molhada às estrofes
Ela toca aos naufrágios escravizadores
Enegrecendo brancas nuvens às dores
Que caíam até aos monges

Guitarra morna aos nervos
De escadas de paraíso anais
Que em canções angelicais
Secas teus dedos servos

Cantaste sob acácias com esperança
E na guitarra ensolarada ao vento
Tu levaste às sereias esse talento
Que hoje em dia é já herança...


Escrito em 25 de Agosto de 2009 em Luanda



Angola


Angola lindamente independente
Metamorfoseada agora em 35 anos
Em nação contente e em desenvolvimento permanente
de cujos rios transbordam água quente

Angola atulhada de recantos
e em todos os seus cantos
Pássaros exibem lindos cantos
E homens ao ritmo esquecem os prantos

Angola meu torrão natal
Minha estrela guia
Meu oceano sem final
Andorinha minha que ao céu me guia

Angola enfim!
É mesmo Angola
Que com 35 anos de emancipação
Inspira acolá o pobre coração do poeta…



Almas eternizadas

Nossos corpos fustigados de loucura
Se atraíam inevitavelmente nas areias
Da baía azul, onde das místicas sereias,
Apaixonados, nós sentíamos a doçura


As longas noites vividas de felicidade
Celebravam ao mar sereno tal romance
O céu estrelado lá era somente você
E eu via nossas almas atingido a eternidade


O conforto do meu interior
Era tão evidente que o desespero
De sair de lá me induzia ao mosteiro
Pois da água cristalina tu eras superior


Tantas e maravilhosas lembranças
Gravadas nas tenebrosas montanhas
Que em suas pedras sólidas e castanhas
Se retratavam nossas utópicas transas


Os envelhecidos sonhos aconteciam
Naquela longínqua e baía imaculada
Onde de pejo os outros adormeciam
Na tenda azul brilhando na alvorada


As peripécias de quando o fogo
Se apagava e as carícias do gostoso
Amor que, à nós tanto embriagava
E o desejo de suicídio ali não assolava


Quando o seu não era perigoso
O sim! Então salvava a emoção
Que apressadamente ia do coração
Para deleitar teu seio fogoso…


O mundo esquecido de verdade
O alimento aquecido aos beijos
Que o intruso confundia com desejos
Virou enternecido o amor da saudade


Ombako-poeta José Honório

Oásis ondulados

nas calemas que na madrugada arrebentaram
ao custo das águas ansiosas do oceano
construí um oásis mundano
onde amparo vidas que se derrubaram

entre as ondas arrebentadas no asfalto
oiço o inacreditável chilrear dos pássaros
e o bramir dos sumptuosos carros
que ainda escondem prazeres ao alto

nos verdes das acácias que vedes
arrebentaram estradas seculares
por entre oceanos e impiedosos mares
nos quais vejo desfeitos sonhos celestes

no deserto sem camelo nem Meca
perdem-se as redes de esperança
lançadas às ondas segundo a crença
dos pescadores ávidos da caneca

as águas que outrora refrescavam
hoje levam-me a mim ao fundo do mar
para nas ostras amar
essas ondas que arrebentavam…

Escrito em 10 de Abril de 2010 em Benguela
REI MANDONGUE I
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Lágrimas Presas



Antes de mais do que menos
Sou lágrimas presas à alma
Que de tanto secas à cama
Evadem às pressas hinos

Antes de mais do que menos
Sou por ora detido por mentes
Que ao longo de luzes agrestes
Já pouco me davam aos acenos

Há mágoa nesse serpenteado rio
E por isso se erguem transbordos
Onde eu afogo noites sem bordos
E assim se emudecem gritos a fio…

Antes de mais do que menos
Sou postulante à aspiração poética
Azarada à saída da antiga ética
Que destemida chamusca dedos

Caí por haver tentado creditar
Versos em papéis voadores
E para além levar sorrisos tristes
A partir desse difícil fitar

Instantes em mim irrompem
Silêncios que vozeiam cantos
Mas antes de mais os abolem
Ante ao desespero de haver prantos

Antes de mais do que menos
Até de arlequim venho confundido
Visto meu refrão cantar ardido
Antes de mais do que menos...

Poema escrito no dia 9 de 9 de 9, em Luanda







Beijo Atómicos


Por entre explosões brilham seios
Em Bagdad desafogo seu suspiro
E nesses escombros, seu negro viro
Para, nos clamores, ressurgirem meios

Mulher tanto de lá quanto de Algarve
Em cujo suor de desamor há trave
Devorando já tão dilacerado âmago
E, sem mãos, em sua ânsia há afago

Iraquiana que talvez sejas a Ana
Sou o soldado lírico em explosões
Sejas feliz em Benguela ou Viana
Ecoo sua desesperança de desilusões

Aqui, alvorece o cais de sombreiro
E mesmo quando o sol se despede
Também sou aquele golfinho com sede
De seus sorrisos soltos para Fevereiro

Sigo ademais seus dias incomuns
Com sol que revolta e se desprende
Em seu corpo preso como presente
E ora desvendado nem lágrimas ruins

Nem beira nem eira para ires
Se é que queres essa letra seca
Que leva teu silêncio oco à Meca
Onde receosa tu desejas arco-íris

Em tablóides busco esses seios
Ainda acesos mas tão desejosos
De poesia da minh’alma sem pejos
E que libertam teus largos receios

Voo a alguns milhares de pés
Mas despenho desejos em ingenuidade
Perdida há…há muito nessa cidade
De cujas promessas tu já não crês

Quero, apesar disso, que sejas de lá
Daquela terra que é teu universo
Embora explosões seduzissem esse verso
De onde o horizonte seu surgi cá…

Republicado em 10 de 09 de 2009 em Luanda


Especial Reportagem: E tudo a água levou...

Nos rios Coporolo, Cavaco e Catumbela: Pessoas, animais, infra-estruturas, culturas
  Nos últimos 13 anos as populações das áreas ribeirinhas dos rios Coporolo, Cavaco e Catumbela vêm enfrentando cheias cíclicas acompanhadas de mortes de pessoas e animais, destruição de casas, vastas áreas cultivadas e outros prejuízos dos parcos recursos das populações.

As fortes chuvas, que caíram à montante dos rios Coporolo, Cavaco e Catumbela contribuíram para o aumento do caudal dos três rios causando consideráveis danos estruturais. Mais de 85 hectares de terras aráveis e diversas infra-estruturas foram destruídas no Dombe Grande, Vale do Cavaco e na Catumbela. Em alguns lugares dessas localidades, povoados inteiros foram inundados causando a deslocação dos seus habitantes para zonas mais seguras.
A caducidade em alguns casos, e a destruição em outros, dos sistemas de alerta rápido e outros sistemas de monitoria e instrumentos de previsão e medição do caudal dos rios, como os higrómetros instalados no período colonial em várias estações meteorológicas e a ausência ao longo de muitos anos de trabalhos de desassoreamento para regular o leito dos rios, faz com que as enchentes se repitam apanhando de surpresa as vulneráveis populações, incapazes de sozinhas ultrapassar os níveis de calamidade que o transbordo dos rios provoca.

A fúria da natureza ante a inércia humana

O Coporolo é tido como o mais problemático dos rios do litoral benguelense resultando em mortes, destruições e muito sofrimento da população. Dados disponíveis indicam que as cheias dos últimos anos desalojaram pelo menos seis mil e cem pessoas ao longo do rio com particular incidência das localidades de Luacho e Senje onde as enchentes destruíram os diques de protecção das duas margens do rio.
Abril de 2001, o manancial de água do rio Coporolo transbordou e arrasou tudo o que encontrou pelo caminho. A população da comuna do Dombe Grande estimada em 80 mil habitantes agita-se por completo devido ao facto. A inundação devastou lavouras e desalojou muitos populares na região.
Dados disponíveis indicam que o rio Cavaco, na periferia da cidade de Benguela, registou três grandes enchentes nos anos de 1979, 1983 e 2002, esta última considerada a mais severa, provocou o desabamento da ponte sobre o rio Cavaco já substituída em Março de 2005 por uma outra com características modernas. A enchente de 2002 destruiu também mais de 200 casas e 35 hectares de culturas diversas de populares nos bairros do Calomburaco, Cotel, Calomanga e Seta, nestes dois últimos, causou ainda a morte de duas pessoas.
O rio Catumbela, de regime permanente, na comuna com a mesma designação apresenta até aqui os índices de assoreamento mais baixos dos últimos tempos, não provocou grandes inundações ao contrário dos outros dois, mas a expansão natural do seu caudal devastou nos últimos oito anos 50 hectares de terras agricultáveis, afectando assim a produção agrícola local.

Depois da tempestade, a bonança

É verdade, como que a fazer jus à expressão segundo a qual “depois da tempestade vem a bonança”. As populações sofreram muito na carne os efeitos devastadores inundações e as autoridades governamentais aprenderam as lições depois de muitos apelos à navegação e finalmente planificaram os recursos necessários e lançaram mãos à obra para o desassoreamento dos três Cês: Cavaco, Coporolo e Catumbela.

As autoridades sustentam que as obras de desassoreamento dos rios Cavaco, Catumbela e Coporolo orçadas em 39 milhões de dólares americanos garantirão até aos próximos 40 anos, a segurança e tranquilidade das populações ribeirinhas contra eventuais cheias que eventualmente possam voltar a ocorrer.
As empreitadas de desassoreamento dos vales dos rios Cavaco na cidade de Benguela e Catumbela no Lobito, que abrange oito quilómetros de extensão do Coporolo na comuna do Dombe Grande constam do Programa de Regularização e Controlo dos Rios em toda a extensão da Província. As obras no Coporolo iniciadas em Outubro com término aprazado para Março de 2007 incidirão na sua margem esquerda.
Os trabalhos nos rios Cavaco e Catumbela vão garantir maior segurança na presente época chuvosa e em próximas, às comunidades locais, culturas e infra-estruturas diversas localizadas nas proximidades das margens dos rios evitando que as cheias que periodicamente as afectava se repitam.
Benefícios
Segundo o director provincial das Obras Públicas, Arquitecto Zacarias Camuenho, o desassoreamento dos três rios trará benefícios incalculáveis à vida da população, fundamentalmente do município de Benguela e comunas da Catumbela e Dombe Grande, tanto na protecção das suas áreas agrícolas para o fomento desta actividade, como das suas residências, construídas na sua maioria, de forma precária.
O arquitecto, que não revelou o número de populares já afectados pelas enchentes locais até ao momento, disse que cada um dos rios apresenta características singulares de inundações, sendo o Coporolo, aquele que mais danos tem causado à vida das pessoas.
Na opinião do director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Abrantes Sequesseke, há multo que a província clamava pelo desassoreamento dos rios por causa dos constrangimentos de vária ordem que provocavam à vida da população. “Os trabalhos de desassoreamento desses rios são na verdade oportunos, para minorar os problemas tanto sociais quanto produtivos da população benguelense” – frisou Sequesseke.
Abrantes Sekesseke considera o desassoreamento dos rios locais como um passo bastante importante dado pelo Governo aos níveis central e local, de modo a permitir também e, sem sombras de dúvidas, o relançamento da agricultura nas áreas do Cavaco, Catumbela e Coporolo e não só, afectadas pela problemática das últimas inundações.

A voz do povo

Para Fabião Domingos João, soba adjunto dos bairros Cotel, Massangarala e Tchioche ribeirinhos ao rio Cavaco, o desassoreamento é bem-vindo, tendo em conta que vai permitir a protecção das casas e culturas diversas dos populares, que antes se debatiam com inundações permanentes. “Neste momento é visível a satisfação das comunidades locais, devido a execução com celeridade dos trabalhos de desassoreamento do rio Cavaco”, acrescentou aquela autoridade tradicional.
Os populares dos bairros do Calomburaco, Cotel, Calomanga e Massangarala, nas margens do rio Cavaco, consideram que o estado crítico e assoreado do leito deste rio constituiu sempre uma preocupação premente, devido as inundações que causavam inúmeros prejuízos materiais e humanos.
Gaspar de Oliveira Pereira, morador no Calomburaco desde 1968, diz-se satisfeito pelo trabalho, que vai permitir que o leito do rio esteja regularizado, de modo a que as enchentes que se vinham registando não destruam mais nem culturas nem residências das pessoas já de si empobrecidas.
Para ele há muito que o leito do Cavaco, por ser um rio seco, serve de depósito de lixo, sendo então oportuno que o projecto de desassoreamento contemple também a construção de balneários e lavandarias públicas, para contribuir na educação da população e compreender a necessidade de preservar o meio ambiente.
Aponta como outro benefício, o facto do “desassoreamento” vir a permitir os agricultores locais retomarem as suas actividades, frisando que nas margens deste rio se produz essencialmente hortícolas, frutas e tubérculos.
César Armando, que vive no Calomburaco há seis anos, manifesta-se igualmente satisfeito com o desassoreamento do rio Cavaco, cujos trabalhos em seu entender decorrem a bom ritmo, o que motiva a população a sentir-se agora muito mais segura para enfrentar as chuvas.
“Pelos níveis positivos visíveis nos trabalhos, neste momento já se devolveu a segurança e o sossego à população ribeirinha”, sublinhou, ao mesmo tempo que lembrou o fatídico Domingo de Páscoa em Abril de 2002, quando as águas do rio Cavaco galgaram até às margens, a sua casa foi destruída, tendo levado mais de um ano para reconstrui-la, em meio a muitas dificuldades.
Outra interlocutora, Cristina Kandimba, 85 anos de idade, residente no Cotel há 55 anos. Para ela, a população sente uma profunda satisfação pelo trabalho que está a ser conduzido pelo Governo. Os receios e o sentido de resignação que antes marcaram o seu quotidiano já ficaram para trás, o desassoreamento do rio, agora há mais força e vontade de trabalhar, isso ajuda a província a avançar.
“Depois das chuvas torrenciais de 2002, terem feito o rio Cavaco transbordar, as pessoas ficaram muito aflitas sem saber o que fazer, porque as nossas próprias casas foram atingidas e arrastadas pela força das águas. Perdemos os nossos poucos recursos, mas tudo isso já passou”, ironiza Cristina Kandimba, ao mesmo tempo que reconhece que são imprescindíveis as obras de desassoreamento dos três rios Cavaco, Catumbela e Coporolo, apelando por isso a população a contribuir para a sua materialização exitosa desta empreitada.

Prevenir é melhor que remediar

Além do desassoreamento dos três rios em curso, as autoridades locais dão-se conta de que precisam igualmente implementar outras medidas para prevenir eventuais secas com a construção nos próximos tempos, de três estações hidrométricas em Benguela, para monitorar o sistema de alerta rápido das chuvas na região.
Os empreendimentos cujos orçamentos rondam um milhão de dólares americanos serão financiados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Inarate uma instituição da Noruega ligada aos serviços de protecção civil.
Outro benefício directo do projecto de desassoreamento dos rios Catumbela, Cavaco e Coporolo tem a ver com a criação de quinhentos novos postos de trabalho, um contributo para diminuição dos elevados índices de desemprego.
O curso dos trabalhos
As obras, adjudicadas em Outubro de 2005 à empreiteira brasileira Odebrecht em parceria com a Pavitera têm um cronograma de execução de 18 meses, em duas fases: a primeira contempla a construção de diques de protecção nestes rios e a feitura de aterros na ordem dos 834 mil metros cúbicos para regularizar os seus caudais.
A etapa complementar será reservada às obras de carácter definitivo, contemplando as infra-estruturas hidroeléctricas, económicas e sociais ao seu redor, com realce para a açucareira do Dombe Grande, no caso particular do rio Coporolo. As obras do projecto de desassoreamento dos três rios, fiscalizadas pela firma libanesa Dar-al-handasah, compreendem uma bacia hidrográfica na ordem dos 38 mil metros quadrados.
O rio Catumbela será desassoreado numa extensão de 17 mil e 500 metros quadrados, o Coporolo em 16 mil metros quadrados e o Cavaco em quatro mil e 500 metros quadrados, neste último, o Governo local prevê certas acções para complementar na execução das suas obras, numa perspectiva da construção de uma nova Avenida que se ligará a marginal da praia Morena ao longo do rio, facto que constitui um marco memorável no capítulo das obras públicas locais.
Foi já concluída a primeira fase de desassoreamento do Cavaco com a execução na sua margem esquerda de cinco quilómetros de aterro com cerca de três metros de altura, ao passo que na margem direita foram construídos três quilómetros de aterro com dois metros de altura, de forma a regular o leito do rio.
Nas obras no rio Cavaco, que prevêem a feitura de diques de protecção de quatro metros de altura e igual número de largura, numa extensão de 12 quilómetros de aterro, trabalham 85 pessoas, dos quais dois brasileiros. No que toca a meios, movimentam oito camiões basculantes, duas moto-niveladoras, um buldozer, uma retro-escavadora e uma relo-compactadora, além de dois camiões cisternas.
No respeitante ao rio Catumbela, onde a edificação de diques abrange apenas três quilómetros da margem direita houve uma alteração para a melhoria do projecto inicial, que se baseia na construção do dique e de uma via de acesso com quatro metros de largura.
Nesta empreitada foi incluído um outro projecto para a construção de uma marginal que terá uma extensão de 50 metros e nela serão feitos loteamentos para residências e uma área de lazer, adjacente ao actual zoológico, uma forma de permitir o fomento da actividade turística na Catumbela.
No local, serão ainda construídas lavandarias públicas e um balneário, acções que estão a ser aplaudidas pelas comunidades ribeirinhas, pelo facto de trazer mudança sociais como a tradicional lavagem de roupa nas margens do rio.

Pensar global e agir local

As cheias são, em qualquer parte um dilema, como provam estes casos. A África Austral, região da qual Angola faz parte, foi assolada por cheias, que resultaram na destruição de infra-estruturas e habitações. De Dezembro de 2005 a Março de 2006 na vizinha província da Huila, pelo menos 45 casas foram destruídas. Além fronteiras, em Moçambique, pelo menos 22 pessoas morreram e mil e 500 famílias desalojadas totalizando cerca de nove mil pessoas afectadas. Na província de Sofala, aproximadamente quatro mil hectares de milho foram destruídos.
Notícias do Malawi, indicaram que 72 hectares de terras aráveis foram danificados e mais de duas mil pessoas ficaram desalojadas no distrito de Nsanje. Isto foi depois das chuvas pesadas terem feito com que o Rio Ruo galgasse as margens, afectando cerca de 40 mil pessoas. Enquanto isso, na Zâmbia, as inundações estragaram fontes de energia depois da destruição da principal estação de energia hidroeléctrica em Kafue Gorge.
Todos os Estados membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo os que partilham a bacia do Zambeze, acederam à Convenção da Estrutura das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Esta, os impele a regular a emissão do gases na atmosfera para evitar a ocorrência da mudança do clima, visto que impede o desenvolvimento económico e sustentável, ou compromete iniciativas de produção alimentar.

Um impulso ao fomento agrícola e turístico

Os trabalhos de desassoreamento e regularização dos caudais dos rios Cavaco, Catumbela e Coporolo, constituem um incentivo indispensável no seio dos camponeses do litoral benguelense, para o relançamento da actividade agricultura, como factor essencial para o aumento considerável da segurança alimentar na região.
De acordo com o director provincial de Benguela da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Abrantes Sequesseke, os rios Coporolo, Cavaco e Catumbela, contêm bacias hidrográficas úteis ao fomento da actividade agrícola, por isso o seu desassoreamento proporcionará bons rendimentos aos agricultores, visando desenvolver a economia dessas localidades.
O responsável pela agricultura na província afirma que, após a província ter perdido nos últimos oito anos mais de 85 hectares de terras aráveis, em consequência das inundações provocadas pelas enchentes dos rios, é pois chegado o momento adequado para se investir no sector agrícola, mormente nas localidades mais afectadas pela crise.
O entrevistado revela que, só nas margens do rio Cavaco, foram destruídas aproximadamente 35 hectares de terras aráveis e 50 na Catumbela, por causa das fortes águas torrenciais resultantes do transbordo dessas correntes fluviais, mas em relação ao Coporolo não precisou os dados.
Sekesseque disse que por via do desassoreamento dos rios, o governo cria, naturalmente, benefícios para se relançar e aumentar a actividade agrícola produtiva na província de Benguela, já que os agricultores deixarão de perder mais áreas aráveis.

O agricultor comenta

Para o agricultor Gaspar Pereira, morador no bairro Calomburaco há 44 anos, depois de regularizado o caudal do rio, será possível aos camponeses a prática contínua da agricultura com mais tranquilidade e confiança. “Os agricultores, principalmente das proximidades das margens do rio Cavaco pensam já no reinício das suas actividades agrícolas que são fundamentais por que garantem a subsistência alimentar das suas comunidades”, sustentou
Cristina Kandimba, camponesa de 85 anos de idade, residente no Cotel há 55 anos, disse por sua vez, que a população sente uma profunda satisfação pelo trabalho que está a ser feito, por que isso vai potenciar a actividade agrícola e dar mais sossego à população.
“O desassoreamento do rio Cavaco, virá estimular muito a participação e empenho dos agricultores na revitalização do sector agrícola, para que as dificuldades sociais e económicas que a população padece sejam minimizadas”, assegurou.
A capacidade produtiva do Vale
No Cavaco, segundo dados, existiam no período colonial 700 hectares de bananais diversos, cuja produção se estimava em perto de 25 mil toneladas da banana destinadas à exportação, servindo entre vários países, a Portugal, Áustria, Suiça, Alemanha, Dinamarca. Tudo isso, graças a estabilidade que reinava e das estruturas implantadas para o apoio técnico-científico.
Actualmente o nível de produção deste produto reduziu drasticamente, devido por um lado ao conflito armado que assolou no país, que fizera com que os agricultores estivessem incertos à produção e por outro, ao fraco apoio técnico-material a que os mesmos estavam votados neste período.
Com o actual ambiente de paz, o Governo de Benguela tem estado a criar condições favoráveis para impulsionar os investidores estrangeiros, a contribuírem para o relançamento do sector agrícola no município sede da província e de um modo geral em toda região.
A Catumbela dispõe de inigualáveis belezas tropicais, como o parque dos Bambus, as palmeirinhas e o próprio majestoso curso hídrico que serpenteia dentre montanhas. Estas potencialidades turísticas serão, por via do desassoreamento do rio, aproveitadas inteligentemente. Em face a isso, numerosos turistas ávidos de conhecer o país e esta região, em particular, têm mantido contactos com as autoridades e empresários locais, de modo a lançar bases para o fomento do sector.

Por: José Honório

BNI anuncia emissão de cartões Visa e MasterCard em Benguela


Benguela – O administrador do Banco de Negócios Internacional, Carlos Rodrigues, anunciou em Maio, em Benguela, que a agência da Rede Expresso 24, afecta ao BNI, vai emitir, a partir dessa cidade, cartões Visa e da MasterCard para dar soluções às transacções comerciais dos clientes no exterior do país.

O administrador do BNI avançou essa informação durante a sua intervenção na cerimónia de inauguração do primeiro balcão da Rede Expresso 24 do Banco de Negócios Internacional no centro da cidade de Benguela.

Carlos Rodrigues afirmou que o BNI é o único banco no Sistema Financeiro Nacional a emitir esses cartões internacionais, aceites em qualquer caixa electrónico do Mundo, cujas principais vantagens permitem ao cliente realizar pagamentos ou levantamentos da sua conta em qualquer país onde estiver.

Informou que os cartões Visa e da MasterCard vão ser entregues aos clientes em menos de 72 horas a contar da data da sua emissão na agência de Benguela da Rede Expresso 24.

Realçou que a Rede Expresso 24 é um canal do BNI e que está concebida para permitir aos seus clientes realizarem as operações nos centros de negócios do banco e vice-versa.

Igualmente manifestou a satisfação tanto dos accionistas do banco, quanto do conselho de administração e dos colaboradores por causa da inauguração do 28º balcão da Rede Expresso 24 em Benguela.

Sublinhou que o novo balcão está operacional quer ao nível dos recursos que a compõem, quer dos meios colocados à sua disposição para prestar uma actividade com rigor, objectividade e excelência a favor da concretização dos objectivos traçados pela administração.

Carlos Rodrigues aproveitou ainda a ocasião para certificar que o Banco de Negócios Internacional vai continuar a trabalhar no sentido de abrir mais balcões nas demais localidades do país para se aproximar cada vez mais aos seus clientes.

Entretanto, assistiram ao acto inaugural do novo balcão da Rede Expresso 24, entre outras personalidades, o director geral do BNI, Rosário Matias, o administrador municipal de Benguela, José Manuel Lucombo, empresários e bancários.

Por Rei Mandongue I